Especialista alerta para os riscos de reproduzir dietas da internet sem considerar as necessidades individuais e destaca a importância do acompanhamento nutricional
Entre promessas de emagrecimento rápido, “detox” e mudanças no corpo em poucos dias, as redes sociais se tornaram uma vitrine de dietas que parecem simples, acessíveis e capazes de transformar a rotina alimentar. O problema é que aquilo que funciona para um influenciador ou outra pessoa pode não funcionar, e até representar riscos, para quem decide reproduzir a estratégia por conta própria. A falta de individualização pode levar a restrições desnecessárias, inadequação de nutrientes, perda de massa muscular, fadiga e alterações no comportamento alimentar.
De acordo com a Nutricionista Gredany Palheta, explica que um dos principais riscos está em transformar uma experiência individual em uma regra universal. Segundo ela, cada pessoa possui necessidades nutricionais e condições diferentes, que precisam ser consideradas antes da adoção de qualquer estratégia alimentar.
“Uma estratégia alimentar que trouxe resultado para uma pessoa não necessariamente será adequada para outra, porque a alimentação precisa considerar características individuais, como idade, composição corporal, nível de atividade física, objetivos, rotina, preferências alimentares, condições clínicas, uso de medicamentos, alergias e intolerâncias”, explica a docente de Nutrição da Faculdade Serra Dourada.
A especialista também chama atenção para a forma como as redes sociais apresentam os resultados. Muitas vezes, o público acompanha apenas uma parte da rotina de determinada pessoa e não conhece fatores como acompanhamento profissional, histórico alimentar, nível de atividade física ou condições de saúde que contribuíram para aquele resultado.
E as dietas “detox”?
Outro exemplo bastante popular nas redes sociais são as chamadas dietas detox, frequentemente associadas à promessa de “limpar” o organismo e eliminar toxinas. Gredany destaca que, para pessoas saudáveis, não há necessidade de protocolos específicos com essa finalidade.
“O organismo já possui sistemas especializados para metabolizar e eliminar substâncias potencialmente nocivas, especialmente por meio do fígado e dos rins. Uma alimentação equilibrada contribui para a manutenção da saúde, mas isso é diferente de realizar protocolos restritivos com a promessa de ‘desintoxicar’ o organismo”, afirma.
Segundo Gredany, dietas muito restritivas podem provocar inadequação de energia e nutrientes, perda de massa muscular, fadiga e sintomas gastrointestinais, além de dificultar a manutenção dos hábitos alimentares no longo prazo.
Alimentação individualizada
Para a especialista, antes de aderir a uma dieta vista na internet, é importante avaliar se aquela estratégia realmente atende às necessidades da pessoa e se possui respaldo científico. O objetivo, segundo ela, deve ser construir hábitos alimentares seguros, adequados e possíveis de manter.
A orientação profissional ganha ainda mais destaque neste Dia do Nutricionista, celebrado em 31 de agosto. A data destaca a importância do trabalho desses profissionais na promoção da alimentação adequada e na elaboração de estratégias que considerem as características e necessidades de cada indivíduo.
“Mais importante do que procurar uma ‘dieta detox’ ou uma dieta da moda é construir hábitos alimentares consistentes e individualizados. A nutrição não deve ser baseada em uma fórmula que serve para todos, mas em estratégias que sejam nutricionalmente adequadas, seguras e possíveis de serem mantidas ao longo do tempo”, ressalta Palheta.
A recomendação, portanto, é não tomar como regra aquilo que aparece nas redes sociais. Antes de fazer mudanças radicais na alimentação, buscar orientação de um nutricionista pode ajudar a identificar as necessidades individuais e evitar estratégias que, apesar de populares na internet, podem não ser adequadas para a saúde





















